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    Entrevista com o presidente da CerradinhoBio

    Com uma produtividade acima de 100 toneladas por hectare e resultados financeiros positivos, a CerradinhoBio está no grupo das usinas que passou pela crise sucroenergética sem muita dificuldade. O segredo do sucesso, pelas palavras do presidente da companhia, Paulo Motta, vem com uma estratégia que busca a diversificação na obtenção de recursos e também na receita.

    Um dos pontos mais importantes nessa estratégia foram os investimentos em cogeração de eletricidade. A estratégia se mantém, e, no dia 20 de setembro, a empresa reuniu autoridades e representantes do setor sucroenergética para a inauguração da expansão de sua usina, localizada em Chapadão do Céu (GO). Agora, a capacidade da companhia de absorver seus resíduos agrícolas para a geração de eletricidade chega a superar a capacidade de moer cana-de-açúcar, abrindo espaço para outras matérias-primas ou até mesmo novos investimentos em outras áreas.

    Para compreender essa estratégia e entender os planos futuros da CerradinhoBio, o novaCana conversou com o presidente da companhia, Paulo Motta. Depois de mais de 10 anos na Votorantim, Motta assumiu a presidência da CerradinhoBio em novembro de 2015, já encontrando uma empresa bem estruturada e disposta a estudar diferentes caminhos para crescer.

    Na entrevista a seguir, ele traz os números da empresa, comenta as estratégias adotadas e as possibilidades para o futuro, além de apresentar as expectativas da CerradinhoBio para o mercado de cogeração, do programa RenovaBio e o impacto dos CBios.

    novaCana | A Cerradinho é uma das poucas empresas do setor que tem apresentado lucro a diversas safras, com resultados positivos desde 2013/14. Qual é a estratégia para permanecer no azul?
    Paulo Motta | Eu destacaria três coisas. A primeira é a governança da empresa, o quanto a gente tem evoluído em ter um conselho forte, presente e diretivo. Com essa governança, temos políticas que visam assegurar solidez financeira para crescer de uma forma responsável e de forma sólida. Outro ponto é a nossa disciplina nas operações, especialmente na parte agrícola onde a gente tem o zelo de trabalhar com um planejamento robusto, com a combinação das variedades, a escolha adequada dos solos, o planejamento de safra. Isso tem nos permitido operar consistentemente com uma produtividade acima de 100 toneladas por hectare. E o terceiro ponto é o cuidado com os nossos colaboradores para que a gente tenha uma equipe comprometida, que aceita desafios e faz uma execução bem-feita daquilo que a gente se propõe a fazer.

    Uma das principais estratégias da empresa tem sido investir na cogeração. Quais são as expectativas em relação a esse mercado, ainda mais considerando a inauguração na nova caldeira?
    Basicamente, essa inauguração faz a gente ser uma das maiores termelétricas de biomassa do país. Nós temos 160 MW de capacidade instalada e, com essa capacidade, temos condição de fazer uma exportação de 850 GWh por ano. Mas ainda não temos biomassa suficiente para toda essa capacidade, então, nessa safra, vamos exportar 540 GWh. À medida em que crescer a nossa moagem, vamos ocupar um pouco mais – o plano é atingir, em um espaço de dois anos, 6,3 milhões de toneladas [de capacidade de moagem de cana-de-açúcar]. Isso vai levar a gente para um patamar de cogeração próximo de 600 GWh de exportação, só com biomassa nossa.

    Mas quanto disso está comprometimento com os leilões de energia?
    A grande maioria. Eu diria que 80%, se a gente pegar a média, está contratada no longo prazo. Nós estamos, nessa safra, operando com três contratos. Na safra que vem entra um quarto contrato, de forma que nós vamos ter 70% da energia gerada na próxima safra já contratada. Com isso, 30% fica disponível para negociação no mercado livre. E esses contratos são todos de longo prazo. Eles vencem lá na frente.

    Na safra passada, a venda de energia foi responsável por uma participação de quase 9% da receita total, com R$ 79,3 milhões. Esse número deve ter um crescimento significativo já este ano? Que resultados a empresa espera alcançar no curto e médio prazo?
    Isso depende muito dos preços. Se você pegar os preços de energia na safra passada, por exemplo, tem uma diferença importante em comparação com essa. O mercado spot tem atingido preços bastante bons. Então, nós devemos crescer para cerca de 13% da nossa receita nessa safra com energia elétrica e, à medida em que a gente atinja a maturidade de 6,3 milhões de moagem, nós devemos ficar com uma participação da energia elétrica na receita em torno de 19% e 20%.

    Ou seja, na estratégia de vocês, a cogeração vai ganhar mais importância.
    Sem dúvida. Há dois pontos importantes aqui. O primeiro é a diversificação de receita. Este ano, nós estamos atingindo uma média de 100 KWh por tonelada de cana moída. Isso é muito difícil de ter no setor, já que a média está abaixo de 50 KWh/t – bem abaixo disso, na verdade. Isso cria uma fortaleza para a gente em termos de eficiência, em usar tudo o que podemos usar da cana. Outro aspecto importante é que temos uma capacidade maior de cogeração [em relação à moagem atual] porque isso nos libera para novas oportunidades em projetos de utilização de vapor para energia elétrica. A caldeira que a gente pôs é de leito fluidizado, sendo mais eficiente do ponto de vista energético e ambiental. Mas, principalmente, ela nos dá bastante flexibilidade no uso de combustíveis. Então, hoje, nós estamos operando com cavaco de eucalipto, além do bagaço e da palha, pois o preço da energia tem viabilizado isso. Nós também já fizemos testes com a utilização de capim braquiária e com sorgo. À medida em que a energia possibilite atingir níveis que justifiquem essas matérias-primas alternativas, nós temos instalações com flexibilidade para usá-las. Isso é uma vantagem muito grande.

    E com relação ao açúcar? Há algum plano?
    Nós fizemos recentemente uma avaliação bastante profunda para a implantação de um projeto de açúcar. Nossa decisão foi esperar, muito mais por uma equação logística. Mas a capacidade que temos de utilidade, de vapor e energia, já nos deixa preparados para qualquer outro projeto como o do açúcar que venha a necessitar dessa energia.

    No começo desse ano, a Cerradinho recebeu R$ 150 milhões do IFC, do Banco Mundial. Esses recursos foram aplicados na cogeração?
    Também. O principal objetivo do dinheiro do IFC foi o financiamento da expansão da cogeração – nesse projeto, nós gastamos R$ 250 milhões em cerca de 20 meses. A gente conseguiu trazer um financiamento importante não só em valor, mas também em condições: é um financiamento de 10 anos com três anos de carência e um selo de gestão. O IFC, além das questões de robustez financeira faz exigências bastante rigorosas na questão de gestão. Então, ter um empréstimo, não só o recurso, mas esse sinal de confiança na gestão, para a gente, foi muito importante.

    Os demais recursos vieram do BNDES.
    Sim. Nós tivemos dois parceiros muito importantes no projeto de expansão da cogeração. Um foi o BNDES e o outro foi o IFC. Embora os financiamentos tenham características diferentes – o dinheiro do BNDES é, vamos chamar assim, ‘carimbado’ para a cogeração, e o do IFC não é assim.

    No passado, a empresa apostou fortemente na emissão de debêntures. Esse caminho valeu a pena para a Cerradinho?
    Valeu sim. O que a gente tem feito é tentar desenvolver novas linhas de aporte e de captura, de captação de recursos – sair daquele modelo tradicional de empréstimo bancário. Debêntures foi um primeiro passo para isso e está indo muito bem. Depois, o IFC foi uma diferenciação para a gente buscar um recurso fora, mas trazer isso para o Brasil em reais. A nossa dívida não é em dólar até mesmo porque a gente não tem recebíveis em dólar e uma gestão adequada de exposição não permitia isso.

    Essa estratégia de diversificação vai se manter no futuro?
    A gente tem trabalhado em outras fontes. Estamos buscando outras oportunidades que vão diversificando e tirando a gente daquele empréstimo bancário normal que, no passado, era o que a gente fazia. Nós começamos a estruturar um CRA, mas acabamos tomando a decisão de não ir a frente com ele. Provavelmente logo você vai ouvir sobre outra fonte, mas não posso adiantar agora.

    Com esses investimentos, como está a perspectiva em relação à alavancagem da companhia?
    Nós estamos prevendo fechar este ano com uma alavancagem em torno de 1,2 a 1,3 vez. Essa é uma situação bastante privilegiada e a entrada do recurso do IFC ajudou muito para que a gente tivesse uma posição financeira diferenciada em relação à maior parte do setor. Outro aspecto importante é que a gente trabalha com uma política que nos garante não entrar em situação de aperto. Esses recursos que a gente captou foram muito importantes para estarmos nessa situação financeira confortável.

    Vamos falar um pouco sobre safra. Qual é a perspectiva da Cerradinho para 2017/18?
    Nós começamos a safra com a perspectiva de que a safra deste ano seria um pouco menor que a safra passada. Nossa projeção era 585 milhões de moagem. Tinha alguns com uma projeção um pouco maior que estão convergindo para próximo desse número que a gente vinha usando, principalmente pelo impacto desse clima mais seco. Acho que um pouco importante que a gente acompanhou foi à medida que o etanol acabou ganhando um pouquinho mais de competitividade com essas mudanças que vimos do PIS Cofins para combustíveis, há uma tendência de diminuir um pouco, mas eu acho que não vai ser muito significativo. Aquilo que estava previsto de açúcar. Acho que um ponto importante que a gente acompanhou foi que o etanol acabou ganhando um pouquinho mais de competitividade com essas mudanças que vimos do PIS Cofins para combustíveis. Há uma tendência de diminuir um pouco aquilo que estava previsto de [produção de] açúcar, mas eu acho que não vai ser muito significativo. Acho que a boa notícia é aquilo que a gente viu em agosto, uma melhora no consumo do etanol. Isso, junto com uma taxa talvez um pouco menor e um pouco mais de competitividade no etanol, talvez a gente veja daqui para a frente preços de etanol um pouco melhores ou, se não vier preço, vai vir consumo, com certeza, o que é bom também.

    Estamos vendo algumas consultorias apontando para uma tendência de um menor rendimento no campo, em questão de cana por hectare. Como você enxerga esse quadro?
    A produtividade está bem em linha com o que a gente esperava. Na safra passada, nós tivemos uma geada forte que atingiu um terço do nosso canavial. Mesmo assim, tivemos 102 t/ha de produtividade agrícola. Nessa safra, a gente ainda tem consequências dessa geada, mas estamos, na média, com 103 t/ha. No caso do ATR, ele está muito próximo do nosso ATR histórico. Nós temos pego um pico agora, mas começamos a safra com um ATR mais baixo. Eu acho que isso apareceu em muitos lugares.

    E para a próxima safra? Algumas estimativas iniciais apontam que haverá menos cana em 2018/19. Vocês têm essa mesma ideia?
    A nossa estimativa para o ano que vem, de maneira geral é algo parecido com o que está acontecendo nessa safra. Não estamos projetando uma queda, mas também não vemos uma expansão. No nosso caso específico, vamos moer mais. Nós estamos começando a trabalhar no planejamento do ano que vem e a nossa base é sair de 5,4 milhões de toneladas para 5,7 milhões de toneladas.

    Vocês estão planejando esse aumento por meio de expansão de área ou isso deve vir do rendimento agrícola?
    A maioria vem por rendimento agrícola, pois vamos ter uma melhora. Mas vamos ter sim expansão. A gente vem trabalhando para evitar gargalos na indústria, o que é sempre marginal, tanto em investimento quanto em ganho de capacidade e, obviamente, já vínhamos preparando a parte agrícola para isso.

    Em relação ao RenovaBio, as distribuidoras vão ter que comprar os créditos de descarbonização, conhecidos como CBios, que serão emitidos pelas usinas e funcionarão como um novo produto para as empresas. Você acredita que os CBios vão efetivamente estimular as usinas a melhorarem seus processos produtivos para ter uma nota melhor e assim emitirem mais CBios?
    Eu não tenho dúvida de que isso vai ser um estimulador, tanto em termos de competitividade quanto em termos de eficiência de operação e ambiental, especialmente quando, de fato, a gente começar a medir a performance de cada usina. Mas eu acho que, no ponto chave, a gente ainda está um pouco atrás. O mecanismo do RenovaBio é extremamente bem estruturado, mas eu acho que o grande desafio é o que a gente quer como sociedade. Nós vamos, como país, querer de fato cumprir e levar a sério as metas e os compromissos ambientais? Como sociedade, nós vamos valorizar aquilo que ambientalmente tem menor impacto? Eu acho que esse é o grande desafio. As políticas públicas deveriam refletir isso. Se a gente tem seriedade naquilo que foi definido como compromisso pelo país, o RenovaBio é um instrumento capaz de fazer aquilo acontecer.

    A Cerradinho já trabalha com algum tipo de certificação? Como a empresa acredita que irá se situar em relação a sua nota de eficiência energética para obtenção de CBios?
    Nós estamos no processo. O próprio empréstimo do IFC exigia que a empresa estivesse adequada para uma certificação Bonsucro. Nós estamos completando esse trabalho e, muito provavelmente, em breve teremos a certificação. Então, eu acho que a forma como temos operado do ponto de vista de sustentabilidade e de responsabilidade ambiental e social, naturalmente nos leva a estar capacitado para um bom posicionamento frente aquilo que o RenovaBio vai exigir.

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    Fonte: Website Nova Cana

    https://www.novacana.com/n/industria/usinas/entrevista-presidente-da-cerradinho-detalha-as-estrategias-e-perspectivas-da-companhia/

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    Link para vídeo sobre a segunda caldeira de biomassa da CerradinhoBio :

    https://www.youtube.com/watch?v=XYEw2bk9nkE